Lionel Messi venceu a batalha pública contra Cristiano Ronaldo.

Ian Nicholas QuillenIan Nicholas Quillen|published: Fri 3rd July, 10:49 2026
22 de junho de 2026; Arlington, Texas, EUA; Lionel Messi, da Argentina, comemora o segundo gol da equipe. Crédito obrigatório: Maria Lysaker-Imagn Images22 de junho de 2026; Arlington, Texas, EUA; Lionel Messi, da Argentina, comemora o segundo gol da equipe. Crédito obrigatório: Maria Lysaker-Imagn Images

Se você quiser saber o quanto Lionel Messi se tornou mais popular que Cristiano Ronaldo nos quatro anos desde que Messi liderou a Argentina ao título da Copa do Mundo de 2022, basta observar a discussão em torno de duas decisões controversas recentes do VAR.

Primeiro, houve o cartão vermelho de Folarin Balogun, resultado da revisão do jogo, na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, por uma entrada com as travas da chuteira expostas em Tarik Muharemovic, zagueiro estrela bósnio.

Enquanto o árbitro brasileiro Raphael Claus revisava o lance no monitor à beira do campo e, por fim, determinava que Balogun havia atingido o nível de falta grave exigido, os torcedores se lembraram da jogada similar de Messi na estreia da Argentina contra a Argélia.

Muitas vezes, faziam isso no contexto de argumentar que Balogun não deveria ser punido porque Messi não foi, e, portanto, claramente não tinha feito nada de errado.

Passadas quase exatamente 24 horas, os torcedores voltaram a reclamar da repetição e da tecnologia de chips de computador que mostrava claramente que Mario Pasalic estava em posição de impedimento na jogada que originou o aparente gol de empate milagroso da Croácia contra o Portugal de Cristiano Ronaldo.

A Croácia já desafiou todas as expectativas ao chegar a duas semifinais da Copa do Mundo e uma final. Portugal não chega a uma semifinal desde que Cristiano Ronaldo tinha 21 anos. Mesmo assim, o público estava claramente do lado dos croatas.

Existem razões muito reais para sermos cautelosos com a arbitragem assistida por tecnologia na Copa do Mundo. Em particular, ela pode exacerbar preconceitos inerentes quando os árbitros a utilizam de forma desigual, consciente ou inconscientemente, dependendo da equipe afetada. (Veja, por exemplo, Inglaterra x Gana.)

Mas, como tudo no esporte, essas reclamações também expõem nossos preconceitos. E em 2026, nossos preconceitos são descaradamente pró-Messi e anti-Ronaldo.

A questão, então, é se ainda resta algo que possa mudar essa situação, ou se será assim pelo resto da história, semelhante à forma como Jordan acabou levando a melhor sobre Thomas, ou como Ali acabou derrotando Frazier.

Certamente parece improvável que esta versão de Ronaldo, agora com 41 anos e limitado à função de centroavante, consiga mudar opiniões com seu desempenho.

Sim, ele marcou o gol de empate de pênalti e, antes disso, teve um gol de empate muito bonito anulado por impedimento milimétrico. Mas ele também terminou a partida com apenas um toque na área — a conversão do pênalti — e foi substituído aos 81 minutos, quando Roberto Martínez buscava o gol da vitória.

A bravura de Martínez foi recompensada quando Gonçalo Ramos cabeceou para o fundo das redes aos quatro minutos dos acréscimos, estabelecendo um precedente perigoso para a influência de Ronaldo nesta Copa do Mundo.

Claro, ainda restam até quatro jogos para Portugal. Claro, Ronaldo pode entrar em uma sequência de vitórias e levar Portugal ao seu primeiro título mundial.

Também não há nenhuma regra que impeça Cabo Verde de vencer a Argentina por 3 a 0 na sexta-feira à noite. Mas eu não apostaria dinheiro nisso.

Quanto à possibilidade de Messi algum dia se distanciar dos fãs que conquistou? Sua discrição torna isso bastante difícil de imaginar.

Quando mais jovem, seu jeito reservado irritava os torcedores, que acreditavam que sua falta de liderança expressiva o impedia de alcançar seus objetivos, principalmente com a seleção argentina. Agora, aos 39 anos, essa característica continua a inspirar os torcedores, permitindo que acreditem no que quiserem sobre ele. E a maioria das pessoas quer acreditar que ele é uma espécie de divindade do futebol.

A Argentina pode ser eliminada da Copa do Mundo antes do que esperamos. Portugal pode finalmente chegar longe ou até mesmo conquistar seu primeiro título.

Mas a batalha nos corações e mentes dos torcedores parece ter terminado. Nenhuma revisão do VAR vai mudar isso.

ad banner
lar lionel-messi-venceu-a-batalha-publica-contra-cristiano-ronaldo